Mensuração de autorregulação fria (funções executivas)

Mensuração de autorregulação fria (funções executivas)

31 de março de 2018 Pesquisadores 0

O Projeto Adole-sendo envolve a mensuração de vários tipos de funções executivas.

Veja abaixo uma descrição de várias tarefas de funções executivas frias que são de domínio público, sendo assim utilizáveis sem custo. As tarefas foram selecionadas de publicações sobre o funcionamento executivo que envolvem análises confirmatórias do fracionamento dessas funções cognitivas em vários domínios: alternância, atualização e inibição de respostas prepotentes ou automáticas (para uma visão geral, ver Friedman & Miyake, 2017).

Resumidamente, alternância executiva é a habilidade de alternar entre atividades, aplicação de regras, etc.; atualização é a habilidade de manter em mente somente conteúdo necessário para realizar uma tarefa, removendo conteúdo irrelevante; inibição é a habilidade de conseguir evitar agir automaticamente.

Apresentamos duas tarefas que mensuram cada uma dessas três habilidades executivas, sendo que ambas apresentam boa carga (loadings) fatorial em seus domínios (exceto teste Stroop  Happy-Sad, que ainda não foi avaliado quanto a isso[1]).

Aqueles interessados ​​em obter melhores medidas de funcionamento executivo podem escolher extrair/obter uma variável latente a partir do desempenho em cada par de tarefas que medem o mesmo domínio[2]. As tarefas foram concebidas de modo a evitar os efeitos teto e chão (isto é, que os examinandos atinjam escores máximos ou mínimos), tendo sido testadas em estudos-piloto em crianças a partir dos 7 anos, idosos com baixa escolaridade e jovens adultos altamente escolarizados. No entanto, os dados normativos ainda não estão disponíveis, pois este é um projeto em andamento. Portanto, as tarefas descritas aqui são úteis principalmente para fins de pesquisa e devem incluir grupos controle com características semelhantes às da população sob investigação.

Na bateria de testes abaixo descrita, as respostas dos examinados são orais. A razão para isso é obter medidas de funções executivas que são pouco contaminadas por diferenças individuais em fatores como velocidade psicomotora, coordenação, destreza e lateralidade, que variam entre os sexos, mudam ao longo do desenvolvimento e podem ser afetadas pela escolaridade (por exemplo, Ruff & Parker, 1993; Sullivan et al., 2016), possivelmente independentemente do funcionamento executivo.

Incluímos, assim, apenas tarefas que não envolvem tempo de exposição fixo (self-paced, a não ser a tarefa Running Span, abaixo explicada)  e usamos o tempo necessário para concluir astarefas como medidas de desempenho, juntamente com erros cometidos. Os examinados passam de uma tela para outra deslizando a tela com o dedo, pressionando a barra de espaço, clicando no mouse ou virando as páginas no caso de versões impressas em cartões. No canto inferior direito de cada tela das tarefas há uma imagem que indica que é preciso mudar a folha para continuar. Os pesquisadores/psicólogos tomam nota das respostas orais nas folhas de respostas que também são fornecidas e devem usar um cronômetro para marcar o tempo levado para completar cada bloco de cada tarefa. Quaisquer diferenças nas respostas motoras necessárias para as respostas orais e/ou para virar as páginas ou passar entre telas são controladas internamente na maioria das tarefas (com exceção das de atualizações; veja como são calculados os escores). Ou seja, a maior parte dos testes incluem blocos que envolvem tarefas ligeiramente diferentes. Há blocos nos quais são necessárias várias habilidades cognitivas, mas pouco em termos de funcionamento executivo específico; há também um bloco que envolve as mesmas habilidades, mas tem um requisito executivo adicional. Escores incluem medidas de custo, isto é, quanto tempo extra é necessário para executar a tarefa nos blocos que incluem as habilidades executivas de interesse em comparação com os blocos sem o requerimento executivo (ou aumento de erros).

Tentamos manter as instruções na mesma fonte (Calibri) e em tamanhos fáceis de ler. Usamos esta fonte que não é serifada porque é mais legível na tela e porque é a fonte padrão em muitas versões do pacote Power Point Office (ver Vandendorpe, 2006). As instruções foram elaboradas com o fito de serem as mais simples possíveis para não dificultar o entendimento das tarefas. Exemplos e estímulos para treinar também são fornecidos. No entanto, estes são foram mantidos a um mínimo porque muita prática pode levar as pessoas a desenvolver estratégias para a execução da tarefa e, portanto, depender cada vez menos de funções executivas à medida que a tarefa progride (por exemplo, ver Spreen e Strauss, 1998).

Quando possível, adaptamos as tarefas para terem estímulos preto, branco e cinza para permitir o uso em pessoas com acromatopsias/discropatopsias, vulgarmente conhecidos como daltônicos (Birch, 2012; Kohl et al., 2002; Zeki, 1990). O fundo foi mantido branco quando possível, para tornar as tarefas mais baratas de imprimir em cartões. Os estímulos utilizados foram selecionados de forma a representar objetos que são facilmente reconhecidos e nomeados por crianças pequenas, de modo a garantir que todos os tipos de examinados os conheceçam. Evitamos utilizar letras como estímulos, substituindo-os por números, que são mais fáceis para examinandos com escolaridade baixa ou inadequada (Izard et al., 2009; Rasmussen & Bisanz, 2011). Ao menos uma tarefa de cada tipo de função executiva não envolve letras/palavras escritas e pode ser empregada em indivíduos analfabetos, desde que as instruções sejam lidas para eles.

As instruções gerais dadas a cada examinado, antes de iniciar a bateria de tarefas, devem explicar que eles cometerão muitos erros e que até adultos muito espertos e altamente instruídos os fazem. Portanto, cometer erros e esquecer-se durante as tarefas não significa que a pessoa tem problemas. Os examinados devem ser encorajados a fazer o melhor que podem e não ficar chateados se erros forem cometidos. Por esse motivo, nas instruções usamos sentenças como “quando você esquece…”. Usamos “quando” e não “se” para deixar claro que esperamos erros e que eles fazem parte das tarefas. Também usamos a palavra “atividade” nas instruções e não a palavra “teste”, para tentar remover a ideia de que os examinados estão sendo testados. Eles também devem poder descansar entre blocos e tarefas, porque elas são difíceis de fazer, independentemente da escolaridade e do quociente de inteligência dos examinados.

Para os pesquisadores: observe: a) se você deseja comparar o desempenho das pessoas em dois momentos diferentes, pode construir outra versão de cada tarefa alternando a ordem dos estímulos em cada bloco das tarefas; não compare o desempenho em uma das duas tarefas propostas para um domínio executivo com a outra tarefa em outro tempo de teste, porque o desempenho irá variar de acordo com a tarefa, mesmo que ambas mensurem o mesmo construto; b) se várias tarefas forem usadas em pessoas diferentes, considere variar a ordem entre os examinados para evitar efeitos de fadiga.

Atenção: Os testes executivos aqui fornecidos o são para pesquisas e não servem para diagnóstico, pois ainda não há normas brasileiras de desempenho e porque não temos como garantir que foram aplicados adequadamente. 

 

Referências bibliográficas

Birch, J. (2012). Worldwide prevalence of red-green color deficiency. JOSA A29(3), 313-320.

Friedman, N. P., & Miyake, A. (2017). Unity and diversity of executive functions: Individual differences as a window on cognitive structure. Cortex86, 186-204.

Izard, V., Sann, C., Spelke, E. S., & Streri, A. (2009). Newborn infants perceive abstract numbers. Proceedings of the National Academy of Sciences106(25), 10382-10385.

Kohl, S., Baumann, B., Rosenberg, T., Kellner, U., Lorenz, B., Vadala, M., … & Wissinger, B. (2002). Mutations in the cone photoreceptor G-protein α-subunit gene GNAT2 in patients with achromatopsia. The American Journal of Human Genetics71(2), 422-425.

Miyake, A., Friedman, N. P., Emerson, M. J., Witzki, A. H., Howerter, A., & Wager, T. D. (2000). The unity and diversity of executive functions and their contributions to complex “frontal lobe” tasks: A latent variable analysis. Cognitive psychology41(1), 49-100.

Rasmussen, C., & Bisanz, J. (2011). The relation between mathematics and working memory in young children with fetal alcohol spectrum disorders. The Journal of Special Education45(3), 184-191.

Ruff, R. M., & Parker, S. B. (1993). Gender-and age-specific changes in motor speed and eye-hand coordination in adults: normative values for the Finger Tapping and Grooved Pegboard Tests. Perceptual and motor skills76(3_suppl), 1219-1230.Sullivan, E. V., Brumback, T., Tapert, S. F., Fama, R., Prouty, D., Brown, S. A., … & De Bellis, M. D. (2016). Cognitive, emotion control, and motor performance of adolescents in the NCANDA study: Contributions from alcohol consumption, age, sex, ethnicity, and family history of addiction. Neuropsychology30(4), 449.Vandendorpe, C. (2008). Reading on screen: The new media sphere. A Companion to Digital Literary Studies, 203-15.

Zeki, S. (1990). A century of cerebral achromatopsia. Brain113(6), 1721-1777.


 

 TAREFAS DE ALTERNÂNCIA EXECUTIVA

Alternância de Categoria

Alternância de Categoria [baseado em Friedman & Miyake (2004), que adaptaram a tarefa de Mayr & Kliegl (2000); veja também Friedman et al. (2006, 2008)]: Esta tarefa avalia alternância executiva e foi alterada em alguns aspectos do teste original, conforme descrito abaixo. Em primeiro lugar, em vez de usar palavras para serem categorizadas, usamos figuras que representam objetos comuns, pois isso permite testar pessoas com dificuldade de leitura e/ou analfabetos. Os estímulos são 16 figuras em preto e branco que representam substantivos concretos. Essas figuras foram obtidas do trabalho de Cycowicz et al. (1997), padronizados para uso no Brasil (ver Pompéia et al., 2001) quanto à consistência de nomeação. Cada figura representa ainda objetos mencionados em material de leitura de crianças no Brasil (Pinheiro, 1995, 1996). Apenas figuras que foram facilmente reconhecíveis por crianças brasileiras foram usadas (Pompeia et al., 2001), de modo a assegurar que os estímulos são identificados pela maior parte das pessoas. Quatro das imagens representam objetos inanimados grandes (cama, geladeira, casa e carro); quatro pequenos objetos inanimados (chave, anel, garfo e apito); quatro grandes seres vivos (elefante, cavalo, girafa e leão); e quatro pequenos seres vivos (borboleta, joaninha, formiga e sapo). Assim, cada imagem pode ser classificada em termos de duas dimensões semânticas independentes: tamanho e entidades vivas / não vivas.

A tarefa envolve três blocos nos quais as imagens são apresentadas individualmente na tela (tamanhos variando de 7 a 9 cm de altura e 4 a 8 cm de largura) em um fundo branco. No bloco 1, pede-se aos examinados que classifiquem as imagens em entidades vivas ou não vivas (“mortas”). Respostas orais são solicitadas. Os examinados passam de uma tela para outra deslizando a tela, pressionando a barra de espaço, clicando no mouse ou virando as páginas no caso de versões impressas em cartões. Os pesquisadores tomam nota das respostas nas folhas de respostas e cronometram o tempo que os examinados levam para completar cada bloco. No bloco 2, as figuras devem ser classificadas por tamanho, tendo como referência o tamanho de uma bola de futebol (menor ou maior que a bola). No bloco 3, os examinados devem alternar as categorias, isto é, categorizar a primeira imagem como “viva de morta”, a segunda como “grande ou pequena”, a terceira como “viva ou morta” e assim por diante[3].

Todos os blocos são precedidos por uma prática que incluiu quatro figuras que não foram usadas nos blocos de teste: gorila, aranha, prendedor de roupas e trem. Nos blocos 1 e 2, 20 figuras são exibidas; no bloco 3, são 40 estímulos. Os escores são o tempo necessário para completar o bloco 3 menos a soma do tempo gasto para completar os dois primeiros blocos (custo de alternância). O mesmo é feito por erros de classficiação e alternância não auto-corrigidos. Erros auto-corrigidos já penalizam os escores na forma de aumento de tempo para completar os blocos. Erros de alternância também são calculados, isto é, conta-se o número de vezes que o examinado repete a categorização da figura anterior. Todas as seqüências de figuras foram randomizadas (www.randomizer.org/), exceto que repetições consecutivas de imagens foram evitadas. Todas as telas são numeradas no canto inferior direito, com fonte Calibri, tamanho 12, para que o experimentor possa acompanhar as respostas.Instruções:– Bloco 1: “Você verá figuras, uma de cada vez. Para cada figura, diga em voz alta se é algo vivo ou não vivo (morto), o mais rápido possível. Depois de responder, passe adiante o mais rápido possível. Passe adiante para fazer um treino. / Muito bem! Alguma dúvida? Lembre-se de fazer a atividade (vivo / morto) o mais rápido que puder, respondendo em voz alta e evitando erros. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante / Muito bem! Você quer descansar antes de continuar? Quando estiver pronto, passe adiante.-Bloco 2: Agora, para cada figura, você deve dizer em voz alta se é algo grande ou pequeno, o mais rápido que puder. Pequeno é qualquer coisa menor que uma bola de futebol; grande é algo maior que esse tipo de bola. Passe adiante parafazer  um treino./ Muito bem! Alguma pergunta? Lembre-se de fazer a atividade (grande / pequeno) o mais rápido que puder, respondendo em voz alta e evitando erros. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante./ Muito bem! Você quer descansar antes de continuar? Quando você estiver pronto para começar, passe adiante.Bloco 3: Esta é a última parte desta atividade. Desta vez, você deve alternar: diga “vivo ou morto” para a 1ª figura, passe para a próxima, diga “grande ou pequeno” para a segunda figura, passe para a próxima, diga “viva ou morta” para a terceira figura e assim por diante … Você terá que tentar lembrar dessa ordem. Quando você esquecer, não faz mal. Escolha uma classificação (“vivo ou morto” ou “grande ou pequeno”) e continue. Passe adiante para fazer um treino. “/ Muito bem! Alguma dúvida? Lembre-se de fazer a atividade o mais rápido que puder, respondendo em voz alta e evitando erros. Comece com” vivo ou morto “. Quando estiver pronto para começar, passe adiante. Muito bem, esta atividade terminou. Referências bibliográficas

Friedman, N. P., Miyake, A., Young, S. E., DeFries, J. C., Corley, R. P., & Hewitt, J. K. (2008). Individual differences in executive functions are almost entirely genetic in origin. Journal of Experimental Psychology: General137(2), 201.

Koch, I. (2003). The role of external cues for endogenous advance reconfiguration in task switching. Psychonomic bulletin & review10(2), 488-492.

Mayr, U., & Kliegl, R. (2000). Task-set switching and long-term memory retrieval.

Miyake, A., Emerson, M. J., Padilla, F., & Ahn, J. C. (2004). Inner speech as a retrieval aid for task goals: The effects of cue type and articulatory suppression in the random task cuing paradigm. Acta psychologica115(2-3), 123-142.

Pinheiro, A. M. V. (1995). Reading and spelling development in Brazilian Portuguese. Reading and Writing7(1), 111-138.

Pinheiro, A. (1996). Contagem de frequência de ocorrência e análise psicolinguística de palavras expostas a crianças na faixe pré-escolar e séries iniciais do 1 o grau. São Paulo: Associação Brasileira de Dislexia.

Pompéia, S., Miranda, M. C., & Bueno, O. F. A. (2001). A set of 400 pictures standardised for Portuguese: norms for name agreement, familiarity and visual complexity for children and adults. Arquivos de Neuro-psiquiatria59(2B), 330-337.

 

 

Tarefa Cor – Forma

Tarefa Cor-Forma [baseada no artigo de Miyake et al. (2004) e Friedman et al. (2008)]: Esta tarefa avalia alternância executiva e foi alterada em alguns aspectos da versão original[4]. A tarefa foi construída em telas com um fundo branco. Os estímulos alvo são quadrados de 3 cm de altura e largura e círculos de 3 cm de diâmetro apresentados individualmente, em preto ou cinza, centralizados na tela (de modo que haja uma margem de cerca de 10 cm do estímulo em baixo e em cima do estímulo e de 8 cm aos lados). Acima de cada estímulo há uma pista: um arco-íris monocromático para indicar que os examinados devem classificar o estímulo alvo de acordo com sua cor, ou formas abstratas indicando que o alvo deve ser classificado de acordo com sua forma. As pistas têm 1,0 cm de altura e 1,5 cm de largura e são colocadas 1,0 centímetros logo acima dos estímulos alvo. A tarefa tem três blocos, todos precedidos por 4 treinos práticos. No bloco 1, os examinados são convidados a nomear as formas que veem, todas com a pista (forma abstrata), acima dos estímulos. No bloco 2 eles devem nomear a cor das formas, todos os estímulos têm uma pista em forma de arco-íris acima deles. No bloco 3 (bloco de deslocamento), eles são solicitados a classificar os estímulos (forma ou cor) de acordo com a pista colocada acima dos estímulos.

Os blocos 1 e 2 contém 20 estímulos alvo cada, enquanto o bloco 3 inclui 40 estímulos. Os examinados são instruídos a responder classificando o estímulo na tela em voz alta e passando o mais rápido possível para a próxima tela. Respostas orais são solicitadas. Os examinados passam de uma tela para outra deslizando a tela, pressionando a barra de espaço, clicando no mouse ou alterando as telas no caso de versões impressas em cartões. No canto inferior direito das telas há uma imagem que indica que os examinados devem passar para a próxima tela para continuar a tarefa. Os pesquisadores tomam nota das respostas nas folhas de respostas e cronometram o tempo que os examinados levam para completar cada bloco. As telas são numerados para que o experimentor possa acompanhar as respostas.Todas as seqüências de estímulos e pistas foram randomizadas (www.randomizer.org), exceto que mais de duas classificações consecutivas do mesmo estímulo/classificação foram evitadas. Os escores (custos de alternância) são o tempo que os examinados levam para completar o bloco 3 menos a soma do tempo gasto para completar os blocos 1 e 2. O mesmo é computado para erros não auto-corrigidos. Erros auto-corrigidos já penalizam os escores na forma de aumento de tempo para completar os blocos.  InstruçõesBloco 1: “Você verá as formas uma de cada vez. Para cada forma, diga em voz alta se é um círculo ou quadrado, o mais rápido que puder, então passe adiante para ver outras formas. Este símbolo (forma abstrata) irá lembrá-lo de dizer a forma (círculo ou quadrado). Passe adiante para praticar./ Muito bem! Alguma dúvida? Lembre-se de fazer a atividade (círculo / quadrado) o mais rápido que puder, evitando erros. Quando estiver pronto para começar, passe adiante./ Muito bem! Você quer descansar antes do próximo bloco? Para continuar, passe adiante. “Bloco 2: Agora, diga em voz alta se as formas são pretas ou cinza, o mais rápido possível, passe adiante para ver outras formas. Este símbolo (arco-íris monocromático) lembrará você de dizer a cor (preto ou cinza). Passe adiante para praticar./ Muito bem! Alguma dúvida? / Passe adiante para continuar. Lembre-se de fazer a atividade (morto / vivo) o mais rápido que puder, respondendo em voz alta e evitando erros. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. / Muito bem! Você quer descansar antes de continuar? Quando estiver pronto, passe adiante.Bloco 3: Este é o último bloco desta atividade! Desta vez, você deve alternar: quando “forma abstrata” aparecer na parte superior da forma, diga se a forma é um círculo ou quadrado; quando “arco-íris” aparecer, diga se é cinza ou preto. Se você cometer erros, não faz mal. Apenas corrija e continue. Passe adiante para fazer um treino. / Muito bem! Alguma pergunta? Lembre-se de que você deve fazer a atividade o mais rápido possível , evitando erros.Quando estiver pronto para começar, passe adiante./ Muito bem! Esta atividade foi concluída.

Referências bibliográficas

Birch, J. (2012). Worldwide prevalence of red-green color deficiency. JOSA A29(3), 313-320.

Friedman, N. P., Miyake, A., Young, S. E., DeFries, J. C., Corley, R. P., & Hewitt, J. K. (2008). Individual differences in executive functions are almost entirely genetic in origin. Journal of Experimental Psychology: General137(2), 201.

Mayr, U., & Kliegl, R. (2000). Task-set switching and long-term memory retrieval.

Miyake, A., Emerson, M. J., Padilla, F., & Ahn, J. C. (2004). Inner speech as a retrieval aid for task goals: The effects of cue type and articulatory suppression in the random task cuing paradigm. Acta psychologica115(2-3), 123-142.

 

 

TAREFAS DE ATUALIZAÇÃO EXECUTIVANumber memoryMemória de números [adaptada da tarefa de Memória de letras; Miyake et al. (2000) e Friedman et al. (2006, 2008)]: Esta tarefa avalia atualização executiva. A tarefa original usava letras como estímulos. Para evitar dificuldades em lidar com esse tipo de estímulo para aqueles que têm escolaridade inadequada ou são analfabetos, optamos por usar os números de 1 a 9 como estímulos, considerando que os números são aprendidos mais cedo e não dependem da escolaridade na mesma medida que o conhecimento de letras (Izard et al. , 2009, Rasmussen & Bisants, 2010, Mix, 2013).A tarefa é relembrar os últimos três números de sequências com um número diferente de estímulos (listas contendo 5, 7 e 9  números seguindos; Friedman et al., 2006, 2008) sendo cada número apresentado individualmente. Por exemplo, se a seqüência de números for: “8-9-2-5-4”, os examinandos devem dizer “8 … 89 …. 892 …. 925 …. 254”. Os números são dispostos no centro da telas em fonte Calibri preta, tamanho 56, em fundo branco. A última tela mostra três pontos de interrogação no lugar dos três últimos números a serem lembrados. Diferentemente das publicações anteriores, o tempo de exposição dos estímulos não será fixo A cada vez que o examinado passa para a tela seguinte um dígito novo aparece (Friedman, 2006 e 2008, St Clair-Thompson e Gathercole, 2006). A tarefa será self-passed como sugerido por McMillan et al. (2007). Os examinados passam de uma tela para outra deslizando a tela, pressionando a barra de espaço, clicando no mouse ou virando as páginas no caso de versões impressas em cartões. A ordem dos dígitos é aleatória (www.randomizer.org/), assim como a ordem de apresentação de comprimento das listas também. No canto inferior direito das telas há uma imagem que indica que os examinados devem passar para a próxima tela para continuar a tarefa. Os pesquisadores tomam nota das respostas nas folhas de respostas e cronometram o tempo que os examinados levam para completar cada sequência.  Todas os telas são numerados no canto inferior direito, com fonte Calibri, tamanho 12, para que o experimentor possa acompanhar as respostas.A pontuação é o número total de dígitos evocados na posição serial correta para cada tamanho de sequência. São também consideradas respostas quando há recordação em posições trocadas (ver Friedman et al., 2008). Outra pontuação é o número total de números lembrados nas ordens corretas e em outras ordens em todos os ensaios (Friedman et al., 2006, 2008; St Clair-Thompson e Gathercole, 2006; McMillan et al., 2007). A soma do tempo para realizar ensaios de cada extensão e o tempo total para realizar todos os ensaios também são computados. Instruções:Você verá números na tela (por exemplo, 714) e deverá dizê-los em voz alta. As vezes “?” aparecerá em vez dos números que você acabou de ver. Neste exemplo (714), se na próxima tela você pode vir “??4” você deve dizer “714” e passar para a próxima tela para continuar a tarefa. Diga os números na ordem em que apareceram (174 estaria errado). Quando você esquecer um número, não tem problema. Diga “esqueci” ou ” branco” no lugar do número. Passe adiante para fazer um treino. /Muito bem! / Agora tente com números em uma ordem bagunçada. Se você esquecer o número no lugar do “?”, não tem problema. Por exemplo, diga “branco”, “4”, “2” e passe adiante. É importante que você tente dizer os números no lugar em que apareceram. Lembre-se de fazer a atividade o mais rápido possível, respondendo em voz alta e evitando erros. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. / Muito bem! Esta atividade terminou.  Referências bibliográficas 

Friedman, N. P., Miyake, A., Corley, R. P., Young, S. E., DeFries, J. C., & Hewitt, J. K. (2006). Not all executive functions are related to intelligence. Psychological science17(2), 172-179.

Friedman, N. P., Miyake, A., Young, S. E., DeFries, J. C., Corley, R. P., & Hewitt, J. K. (2008). Individual differences in executive functions are almost entirely genetic in origin. Journal of Experimental Psychology: General137(2), 201.

Izard, V., Sann, C., Spelke, E. S., & Streri, A. (2009). Newborn infants perceive abstract numbers. Proceedings of the National Academy of Sciences106(25), 10382-10385.

McMillan, K. M., Laird, A. R., Witt, S. T., & Meyerand, M. E. (2007). Self-paced working memory: validation of verbal variations of the n-back paradigm. Brain research1139, 133-142.

Miyake, A., Friedman, N. P., Emerson, M. J., Witzki, A. H., Howerter, A., & Wager, T. D. (2000). The unity and diversity of executive functions and their contributions to complex “frontal lobe” tasks: A latent variable analysis. Cognitive psychology41(1), 49-100.

Mix, K. S. (2013). Habilidades iniciais em operações com números: a transição dos primeiros meses de vida até a primeira infância. In: Encliclopédia sobre o desenvolvimento na primeira infância. Michigan State University, Tradução para o Português, 2013. http://www.enciclopedia-crianca.com/

St Clair-Thompson, H. L., & Gathercole, S. E. (2006). Executive functions and achievements in school: Shifting, updating, inhibition, and working memory. Quarterly journal of experimental psychology59(4), 745-759.

Rasmussen, C., & Bisanz, J. (2011). The relation between mathematics and working memory in young children with fetal alcohol spectrum disorders. The Journal of Special Education45(3), 184-191.


 

2-Back espacialTarefa espacial two-back ou “dois para trás” [adaptada de Friedman et al. (2008) e Vuontela et al. (2003)]: Esta tarefa avalia atualização executiva. Em cada tela há 10 contornos  de quadrados (em preto) cada qual medindo 1,6 cm de lado em um fundo branco. Em cada slide, um desses quadrados se torna totalmente preto, dando a impressão de que ele acendeu (quadrados alvo). O examinado vai passando entre telas e deve deve dizer se a posição do quadrado preto que vê está no mesmo ou em um local diferente do que o quadrado preto que “acendeu” duas telas atrás. Na tarefa original, a taxa de apresentação é fixa. No entanto, no presente trabalho, a velicidade de mudança entre telas é comandada pelos examinados (self-paced), como sugerido no trabalho de McMillan et al. (2007; veja também Lawlor-Savage e Goghari, 2016). A ordem de posição dos quadrados alvo foi randomizada (www.randomizer.org/), com a exceção de que o quadrado visto na tela não corresponde àquele visto três ou uma tela atrás (Friedman et al., 2008), tampouco há quadrados que acendem em duas telas consecutivas.A tarefa é composta de 3 blocos de prática com doze tentativas cada, cada uma contendo três respostas “igual” (isto é, ocorre de haver três quadrados que acendem na mesma posição que quadrados acesos duas telas atrás) e 9, “diferente”. Os testes contêm quatro blocos com 24 telas cada, cada um contendo seis respostas “iguais”. No início de cada bloco, no canto superior esquerdo, as duas primeiras telas são numerados para indicar ao examinado que não é necessário responder. Para cada tela após a segunda, é necessária uma resposta “igual”, “diferente”, ou “branco”, ou algo que indique que o examinado não se lembra. Respostas semelhantes são aceitáveis, expressando o mesmo significado. Os examinados passam de uma tela para outra deslizando a tela, pressionando a barra de espaço, clicando no mouse ou alterando as telas no caso de versões impressas em cartões. No canto inferior direito das telas há uma imagem que indica que os examinados devem passar para a próxima tela para continuar a tarefa. Os pesquisadores tomam nota das respostas nas folhas de respostas e cronometram o tempo que os examinados levam para completar cada bloco. Todas as telas são numeradas no canto inferior direito com uma fonte Calibri, tamanho 12, para que o experimentor possa acompanhar as respostas.A pontuação é o tempo médio gasto para completar os blocos e o número médio de respostas “iguais” e “diferentes” corretas por bloco (Friedman et al., 2008; Vuontela et al., 2003). Omissões (respostas “em branco”) são contadas como erros (Friedman et al., 2008, Ecker, 2014). Instruções:Você verá vários quadrados espalhados na tela. Cada vez que você passar para a próxima tela, um quadrado irá “acender” (fica preto). A partir do 3º quadrado, você deve: 1) comparar a localização do quadrado preto que você vê com a localização do quadrado que acendeu duas telas atrás; 2) dizer “igual” se estiver no mesmo lugar, ou “diferente”, se estiver em outro lugar; 3) depois passe adiante para continuar. Haverá vários quadrados que se acenderão um após o outro. Você deve sempre tentar lembrar onde estavam os que acenderam duas telas atrás. Quando você esquecer, não tem problema. Diga “em branco” ou “não lembro” e comece a tentar lembrar os locais novamente. Passe adiante para fazer um treino./ Muito bem! Alguma pergunta? Lembre-se de fazer a atividade o mais rápido possível, evitando erros. Quando estiver pronto para começar, passe adiante./ Muito bem! Esta atividade terminou. Referências bibliográficas

Friedman, N. P., Miyake, A., Young, S. E., DeFries, J. C., Corley, R. P., & Hewitt, J. K. (2008). Individual differences in executive functions are almost entirely genetic in origin. Journal of Experimental Psychology: General137(2), 201.

Lawlor-Savage, L., & Goghari, V. M. (2016). Dual N-back working memory training in healthy adults: A randomized comparison to processing speed training. PloS one11(4), e0151817.

McMillan, K. M., Laird, A. R., Witt, S. T., & Meyerand, M. E. (2007). Self-paced working memory: validation of verbal variations of the n-back paradigm. Brain research1139, 133-142.

Vuontela, V., Steenari, M. R., Carlson, S., Koivisto, J., Fjällberg, M., & Aronen, E. T. (2003). Audiospatial and visuospatial working memory in 6–13 year old school children. Learning & Memory10(1), 74-81.

 

 

 

TAREFAS DE INIBIÇÃO EXECUTIVA

Stroop-Tarefa das Cores (versão Victoria)Tarefa Stroop-Color Naming test, versão Victoria [baseada na versão Stroop Victoria (Strauss, Sherman, & Spreen, 2006), adaptada para uso local por Duncan (2006); veja também “Neuropsicologia SA” http://www.neuropsychologysa.co.za/article/victoria-stroop-test-in-public-domain /]: Esta tarefa avalia inibição executiva (Cothran et al., 2008; Diamond, 2013 Miyake et al., 2000). A versão Victoria foi selecionada porque é mais curta que a versão original e avalia melhor a inibição por evitar efeitos de aprendizagem (Spreen & Strauss, 1998). Além disso, inclui uma condição na qual há nomeação de cores nas quais palavras neutras são escritas, o que ajuda a determinar a dificuldade de domeação nessa condição neutra (controle) e a compará-la com a nomeação das cores da tinta na qual palavras que são nomes de cores são impressas (condição de interferência), na qual a leitura em que ser inibida em lugar de nomear a cor da tinta (ver Troyer & Straus, 2006).

O instrumento consiste em três blocos. O primeiro bloco permite a determinação da capacidade dos examinados de distinguir as cores e também ajuda a “aquecer”, ou produzir de foram rápida oral os nomes das cores usadas nos outros blocos. Consiste em uma tela com fundo branco com 24 retângulos coloridos, medindo 1 centímetro de altura e 3 centímetros de largura cada, distribuídos em seis linhas com quatro retângulos em cada fileira. O espaço entre as linhas é de 1 cm e o espaço entre os estímulos é de 2 cm. Há uma margem superior e inferior de 6,4 cm. As cores dos estímulos são marrom, rosa, verde e azul de acordo com o trabalho de Duncan (2006). Aqui foram utilizadas as seguintes cores nos valores HSL (matiz, saturação e luminosidade) do Power Point: marrom (matiz: 17; saturação: 255; luminosidade: 64), rosa (matiz: 241; saturação: 255; luminosidade: 179), verde (matiz: 104; saturação: 255; luminosidade: 88) e azul (matiz: 139; saturação: 255; luminosidade: 120). Essas cores aparecem apenas uma vez em cada linha. Os examinados são solicitados a nomear as cores do retângulo da esquerda para a direita, o mais rápido possível.

O próximo bloco é o congruente e contém 24 estímulos seguindo os mesmos padrões de distribuição na tela do bloco de aquecimento, mas no qual os retângulos são substituídos por palavras neutras de duas sílabas que não são nomes de cores. As palavras neutras utilizadas em português foram as mesmas utilizadas na obra de Duncan (2006): “cada, nunca, hoje, tudo”. As palavras foram digitadas em fonte Calibri, 32 pontos, em letras minúsculas impressas nas mesmas cores dos retângulos. Estas palavras em cores diferentes são distribuídas de tal forma que aparecem apenas uma vez em cada linha e seguem a mesma ordem de cores usada nos retângulos do primeiro bloco. Os examinados são instruídos a nomear em voz alta as cores em que as palavras são digitadas (e não ler as palavras), o mais rápido que puderem.

No bloco incongruente os estímulos, disposição e cores são equivalentes aos do bloco congruente exceto que as palavras são nomes de cores (marrom, rosa, verde, azul) impressa em cores incongruentes (por exemplo, a palavra “verde” é impressa na cor azul). Mais uma vez, os examinados devem nomear a cor da tinta em voz alta (e não ler as palavras), o mais rápido possível. O tempo gasto para completar cada bloco e o número de erros são computados. A pontuação é o custo de inibição, ou seja, o tempo extra gasto para concluir o bloco incongruente menos o do bloco congruente. O mesmo é feito para erros. Os erros autocorrigidos não são contados como tal porque as pontuações dos examinados já são penalizadas pelo aumento do tempo necessário para fazê-lo (Lagattuta et al., 2011).

 

Instruções:

Bloco de Aquecimento: Você verá cores. Por favor, diga as cores que vir, da esquerda para a direita, o mais rápido que puder. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve calcular o tempo que leva para o examinado completar a tarefa, dizer “muito bem” no final, e passar para a próxima tela para continuar -.

Bloco Congruente: Agora você verá palavras. Você não deve ler a palavra. Deve dizer em voz alta as cores em que as palavras estão escritas, o mais rápido que puder. Por exemplo, a palavra “cada” escrita em marrom. Não leia as palavras. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve calcular o tempo que leva para o examinado completar a tarefa, dizer “muito bem” no final, e passar para a próxima tela para continuar -.

Bloco Incongruente: Agora você deve fazer a mesma coisa, mas as palavras vão mudar. Por exemplo: “a palavra azul vai estar escrita na cor marrom”. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve calcular o tempo que o examinado leva para concluir a tarefa, dizer “muito bem” no final e indicar que a tarefa foi concluída.

 

Referências bibliográficas

Cothran, D. L., & Larsen, R. (2008). Comparison of inhibition in two timed reaction tasks: The color and emotion Stroop tasks. The Journal of psychology142(4), 373-385.

Diamond, A. (2013). Executive functions. Annual review of psychology64, 135-168.

Duncan, M. T. (2006). Obtenção de dados normativos para desempenho no teste de Stroop num grupo de estudantes do ensino fundamental em Niterói. Jornal Brasileiro de Psiquiatria.

Duncan, 2006

Miyake, A., Friedman, N. P., Emerson, M. J., Witzki, A. H., Howerter, A., & Wager, T. D. (2000). The unity and diversity of executive functions and their contributions to complex “frontal lobe” tasks: A latent variable analysis. Cognitive psychology41(1), 49-100.

Spreen, O., & Strauss, E. (1998). A compendium of neuropsychological tests: Administration, norms, and commentary. Oxford University Press.

Strauss, E., Sherman, E. M., & Spreen, O. (2006). A compendium of neuropsychological tests: Administration, norms, and commentary. American Chemical Society.

Troyer, A. K., Leach, L., & Strauss, E. (2006). Aging and response inhibition: Normative data for the Victoria Stroop Test. Aging, Neuropsychology, and Cognition13(1), 20-35.

 

Stroop Monocromático (para uso em examinandos com dificuldades de discriminação de cores)

A literatura relata que 6 a 8% da população tem dificuldade em discriminar as cores, ou seja, apresentam alguma forma de discromatopsia (Gordon, 1998) ou acromatopsia, que pode ser adquirida ou congênita (Barboni et al., 2009; Picchinin et al. al., 2007). Existem muitos tipos de discromatopsia e acromatopsia, mas todos, em princípio, permitem a diferenciação entre preto, cinza e branco. Portanto, construímos uma tarefa do Stroop que usa essas cores neutras. Esta tarefa é exatamente a mesma que a versão tradicional do Stroop Victoria (Spreen e Strauss, 1998), exceto que apenas três cores neutra / palavras são usadas. O instrumento consiste em três blocos. O primeiro bloco permite a determinação da capacidade dos respondentes de distinguir as cores e também ajuda a “aquecer” ou produzir com rapidez, oralmente, o nome das cores usadas nos outros blocos. O teste consiste em uma tela com fundo cinza claro (HSL, matiz, valores de saturação e luminosidade do Power Point; matiz: 170; saturação: 0; luminosidade: 217) na qual há 24 retângulos coloridos (1 x 3cm), distribuídos horizontalmente em seis linhas com quatro retângulos cada. O espaço entre as linhas é de 1 cm e o espaço entre os estímulos é de 2 cm. Há uma margem superior e inferior de 6,4 cm. As cores dos estímulos são brancas (matiz: 170; saturação: 0; luminosidade: 255), cinza (matiz: 170; saturação: 0; luminosidade: 127) e preto (matiz: 170; saturação: 0; luminosidade: 0). A ordem das cores foi determinada aleatoriamente para o bloco de aquecimento, com apenas uma repetição de cores por linha (www.random.org) e é mantida a mesmo nos outros blocos. Os examinados são convidados a nomear as cores do retângulo da esquerda para a direita, o mais rápido possível. O próximo bloco é o bloco congruente, que contém 24 estímulos seguindo o mesmo padrão de distribuição na tela mas no qual os retângulos são substituídos por palavras de duas sílabas que não são nomes de cores. As palavras neutras utilizadas em português foram as mesmas utilizadas na obra de Duncan (2006; excluindo a palavra “hoje”): “cada, nunca, tudo”. As palavras foram digitadas em fonte Calibri, 32 pontos, em letras minúsculas, nas mesmas cores dos retângulos. Os examinados são instruídos a nomear em voz alta as cores em que as palavras são digitadas (e não ler as palavras), o mais rápido que puderem. No bloco incongruente, os estímulos, disposição e cores são equivalentes aos do bloco congruente, exceto que as palavras são nomes de cores (branco, preto, cinza) escritas em cores incongruentes (por exemplo, a palavra “branco” é escrita na cor preta). Mais uma vez, os examinados devem nomear a cor da tinta em que estão impressas as palavras em voz alta (e não ler as palavras), o mais rápido possível. O tempo gasto para completar cada bloco e o número de erros são computados. A pontuação é o custo de inibição, ou seja, o tempo extra gasto para concluir o bloco incongruente menos o do bloco congruente. O mesmo é feito para erros. Os erros autocorrigidos não são contados como tal porque as pontuações dos examinados já são penalizadas pelo aumento do tempo necessário para fazê-lo (Lagattuta et al., 2011).

 


 

Instruções: Bloco de Aquecimento: você verá c ores. Por favor, diga-me as cores que aparecerão, da esquerda para a direita, o mais rápido que puder. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve calcular o tempo que leva para o examinado completar a tarefa, dizer “muito bem” no final, e passar para passar para a próxima tela para continuar -. Bloco Congruente: Agora você verá palavras. Você não deve ler a palavra. Deve dizer em voz alta as cores em que as palavras estão escritas, o mais rápido que puder. Por exemplo: “a palavra nunca escrita na cor branca”. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve medir o tempo que leva para o examinado completar a tarefa, dizer “muito bem” no final, e passar para passar para a próxima tela -. Bloco Incongruente: Agora você deve fazer a mesma coisa, mas as palavras vão mudar. Por exemplo: “a palavra cinza escrita na cor preta”. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve medir o tempo que leva para o examinado completar a tarefa, dizer “muito bem” no final, e indicar que a tarefa terminou-.  Referências

Barboni, M. T. S., Feitosa-Santana, C., Zachi, E. C., Lago, M., Teixeira, R. A. A., Taub, A., … & Ventura, D. F. (2009). Preliminary findings on the effects of occupational exposure to mercury vapor below safety levels on visual and neuropsychological functions. Journal of occupational and environmental medicine51(12), 1403-1412.

Birch, J. (2012). Worldwide prevalence of red-green color deficiency. JOSA A29(3), 313-320.

Fisher, L. M., Freed, D. M., & Corkin, S. (1990). Stroop Color-Word Test performance in patients with Alzheimer’s disease. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology12(5), 745-758.

Kohl, S., Baumann, B., Rosenberg, T., Kellner, U., Lorenz, B., Vadala, M., … & Wissinger, B. (2002). Mutations in the cone photoreceptor G-protein α-subunit gene GNAT2 in patients with achromatopsia. The American Journal of Human Genetics71(2), 422-425.

Strauss, E., Sherman, E. M., & Spreen, O. (1991). A compendium of neuropsychological tests: Administration, norms, and commentary. American Chemical Society.

Zeki, S. (1990). A century of cerebral achromatopsia. Brain113(6), 1721-1777.

 

Stroop Feliz-Triste

Stroop Feliz Triste [adaptado do trabalho de Lagatutta et al. (2011), Kramer et al., 2015)]: Esta tarefa avalia inibição executiva. Os estímulos (fotografias de faces que expressam expressões) foram obtidos do banco de dados do NIMSTIM (Totenham et al., 2009) e foram escolhidos com base em um estudo piloto com 78 jovens voluntários, que indicaram as emoções expressas nas fotografias. Selecionamos as imagens de atores cuja foto que expressava tristeza e felicidade foram classificadas como tal por mais de 90% dos voluntários, sendo essas de um ator do sexo masculino e outra, feminino, como no trabalho de Lagatutta et al. (2011). As fotografias escolhidas foram dos modelos 7 (feminino 07F_HA_C, 07F_SA_C, 36M) e 34 (masculino 34M _HA_C e 34M_SA_C). A tarefa inclui três blocos, sendo o primeiro um bloco de “aquecimento” (não incluído no teste original), semelhante à primeira fase da tarefa tradicional Stroop, na qual os examinados devem nomear cores. Esse bloco incluiu 20 emojis (3,4 cm de diâmetro) de domínio público com expressões felizes e tristes (10 cada), exibidas em fundo branco, distribuídos em 4 linhas com cinco emojis cada, metade dos quais expressa felicidade e a outra metade, tristeza. Esses emojis foram distribuídos de tal forma que há uma margem superior e inferior de 4,7 cm. Não há margem direita e esquerda. Os examinados devem nomear em voz alta as expressões dos emojis, da esquerda para a direita, o mais rápido possível. A tarefa em si envolve dois blocos com as fotografias selecionadas (4 x 3,67 cm) dispostas na tela como os emojis, totalizando 20 estímulos: a foto feliz e triste de cada ator repetida 5 vezes. Há uma margem de 4,5 cm na parte superior e inferior, mas não há margens esquerda e direita. O primeiro bloco de teste é o bloco congruente. Os examinado são instruídos a nomear em voz alta as expressões nas fotos, da esquerda para a direita, o mais rápido possível. Para o próximo bloco, incongruente, eles devem fazer o oposto: dizer “triste” para rostos felizes e “feliz” para rostos tristes. A ordem dos estímulos em todos os blocos foi aleatoriamente posicionada (www.randomizer.org/), exceto que a mesma foto/emoji não foi apresentada mais do que duas vezes seguidas. Respostas orais são necessárias. O tempo gasto para completar cada bloco e o número de erros são computados. A pontuação é o custo de inibição, ou seja, o tempo extra gasto para concluir o teste incongruente menos o tempo gasto para completar o bloco congruente. O mesmo é feito para erros. Os erros auto-corrigidos não são contados como tal porque as pontuações dos examinados já são penalizadas pelo aumento do tempo necessário para fazê-lo (Lagattuta et al., 2011). Instruções:Bloco de aquecimento: Você verá imagens. Por favor, diga se cada imagem tem uma expressão “feliz” ou “triste”, da esquerda para a direita, o mais rápido possível, evitando erros. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve calcular o tempo que leva para o examinado completar a tarefa, dizer “muito bem” no final, e passar para a próxima tela para continuar -.Bloco congruente: Agora você fará o mesmo, mas com outras imagens, fotografias. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve medir o tempo que leva para o examinado completar a tarefa, dizer “muito bem” no final, e passar para a próxima tela -.Bloco Incongruente: Agora você verá as mesmas fotografias de antes, mas você deve fazer o oposto. Quando você vir uma foto com a expressão triste, diga “feliz” e quando vir uma foto com a expressão feliz, diga “triste”, o mais rápido possível, da esquerda para a direita, evitando erros. Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. – o experimentador deve medir o tempo que o examinado leva para completar a tarefa, diga “muito bem” no final, indicando que a tarefa terminou -. Referências bibliográficas

Lagattuta, K. H., Sayfan, L., & Monsour, M. (2011). A new measure for assessing executive function across a wide age range: Children and adults find happy‐sad more difficult than day‐night. Developmental Science14(3), 481-489.

Kramer, H. J., Lagattuta, K. H., & Sayfan, L. (2015). Why is happy–sad more difficult? Focal emotional information impairs inhibitory control in children and adults. Emotion15(1), 61.

Tottenham, N., Tanaka, J. W., Leon, A. C., McCarry, T., Nurse, M., Hare, T. A., … & Nelson, C. (2009). The NimStim set of facial expressions: judgments from untrained research participants. Psychiatry research168(3), 242-249.

 


 

TAREFA DE CAPACIDADE DE MEMÓRIA OPERACIONAL

Running Memory SpanRunning Memory Span [adaptado de Cowan et al. (2005); Broadman & Engle, 2010]: Esta tarefa avalia a capacidade de memória operacional e é a única dentre as utilizadas que não é self-paced (ver Bunting et al., 2006). Aos examinados são mostradas listas de dígitos apresentados consecutivamente, um de cada vez, a uma velocidade rápida (1 dígito/300 ms) de modo a impossibilitar o uso de estratégias de manutenção de dígitos. Quando a lista termina, é apresentada uma tela com espaços (“_ _ _ _”) indicando que os examinados devem tentar lembrar quantos dígitos conseguirem do final da lista, na mesma ordem em que apareceram. Como não é possível memorizar ativamente os números, a tarefa mensura quantos dígitos ficam retidas passivamente, um indicador de sua capacidade de memória operacional (veja Bunting et al., 2006). Os números são exibidos no centro da tela em fonte Calibri preta, tamanho 18 em um fundo branco (Broadway & Engle, 2010). Os dígitos 1 a 9 estão presentes em ordem aleatória (www.randomizer.org/), exceto que o mesmo número não é apresentado duas ou mais vezes seguidas. Essas listas têm comprimentos variados, entre 11 a 20 dígitos (Cowan et al., 2005). Existem dois blocos de prática, cada qual com dez listas de diferentes comprimentos (11-20 números em cada lista) apresentadas em ordem aleatória. Existem dois blocos de teste com 20 listas cada, cada um com duas listas cada de 11 a 20 dígitos. A ordem dos comprimentos da lista também é aleatória. A pontuação é a média dos números evocados nas posições seriadas corretas (Cowan et al., 2005; Broadway e Engle, 2010).

Instruções:

Você verá números exibidos muito rapidamente. Quando “_ _ _” aparece, diga em voz alta o maior número de números que você pode lembrar que estavam no final da lista, na mesma ordem em que apareceram; Se os números forem … 8-7-6-2-4 e então    ” _ _ _” aparecer, você pode dizer “6-2-4” ou “6, não me lembro, 4”, ou “2-4”, ou apenas “4”. Passe adiante para praticar. / Muito bem. Alguma pergunta? Quando você estiver pronto para começar, passe adiante. / Muito bem. Esta atividade terminou.

 


 

Referências bibliográficas

Broadway, J. M., & Engle, R. W. (2010). Validating running memory span: Measurement of working memory capacity and links with fluid intelligence. Behavior Research Methods42(2), 563-570.Bunting, M., Cowan, N., & Scott Saults, J. (2006). How does running memory span work?. Quarterly Journal of Experimental Psychology, 59 (10), 1691-1700.Cowan, N., Elliott, E. M., Saults, J. S., Morey, C. C., Mattox, S., Hismjatullina, A., & Conway, A. R. (2005). On the capacity of attention: Its estimation and its role in working memory and cognitive aptitudes. Cognitive psychology, 51 (1), 42-100.

 

 

 

 

 

 

[1] Nas publicações que envolvem o fracionamento de funções executivas, a inibição tem sido geralmente avaliada com tarefas que envolvem o registro do tempo de resposta a estímulos individualmente, o que está em desacordo com a presente proposta porque isso envolve ter equipamento e software que são comprados. O Stroop Happy Sad é uma tarefa em papel e lápis que mostra-se sensível à inibição e, portanto, foi proposta como uma alternativa para a tarefa clássica Stroop que também foi usada repetidamente na literatura de fracionamento executivo (ver abaixo).

 

[2]  Uma variável latente não corresponde diretamente ao desempenho dos examinandos. Ela é inferida a partir de modelos estatísticos que obtem ou extraem elementos comuns de desempenho em diferentes tarefas. Se houver evidência teórica de que duas tarefas medem um constructo similar, uma variável latente obtida dessas tarefas indicará o que elas têm em comum, enquanto elimina outras habilidades que também podem contribuir para o desempenho, mas que não são executivas per se. Por exemplo, duas tarefas podem envolver atualização executiva, mas uma pode requere respostas motoras enquanto outra depende mais de velocidade perceptual. Uma variável latente extraída desses testes deve refletir o que eles têm em comum, removendo outras habilidades cognitivas necessárias para executar a tarefa. Veja explicações detalhadas em Miyake et al. (2000).

 

[3] Ao contrário do estudo original, que apresentou pistas para guiar a categorização de estímulos, aqui os testes devem manter essa ordem em mente, pois não há pistas externas. Isso só foi feito na outra tarefa de deslocamento usada (Color Shape) porque a presença de sinais externos ou sugestões internas (com base na memória do anterior).

 

[4] Na versão original, o estímulo consistia em retângulo colorido verde ou vermelho centrado na tela, dentro do qual havia um círculo ou um triângulo. Logo acima dos estímulos-alvo aparecia a letra C ou S indicando o que o examinando deveria responder: C referia-se a classificar a “cor” do retângulo e S a classificar a forma incluída no retângulo. Durante o preparo da tarefa e após a realização de estudos-piloto, foram realizadas as seguintes adaptações: o retângulo externo não foi utilizado como estímulo para evitar que o voluntário confundisse sua forma com a do próprio estímulo. Portanto, apenas as formas que foram inseridas dentro do retângulo foram mantidas. Usamos círculos e quadrados (em vez de triângulos), porque a palavra triângulo é mais longa para se pronunciar em português e porque algumas crianças tiveram dificuldade em denominá-la em estudos-piloto. As cores utilizadas no trabalho original, verde e vermelho, também foram substituídas para preto e cinza para evitar ter que excluir examinandos com qualquer dificuldade na discriminação de cores (por exemplo, Piccinin et al., 2007; Birch, 2012). As letras C e S usadas como pistas no trabalho original foram substituídas por símbolos para evitar possíveis dificuldades em indivíduos com baixa ou má escolarização. Assim, a letra “C” usada como pista para a resposta “Cor” foi substituída por um símbolo monocromático do arco-íris, e a letra “S” usada como pista para a resposta “Forma” foi substituída por uma forma abstrata em preto e branco.

 

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